A Comissão Europeia liberou hoje o pacote
para recapitalização do sistema bancário espanhol. Dos 100 bilhões de euros, 30
bilhões serão liberados já nesse mês. Os bancos que utilizarem seus recursos
terão uma série de condições a cumprir, entre elas a suspensão de distribuição
e dividendos aos acionistas e limitação dos salários e bônus aos executivos.
Esse passo, importante, ajudou a acalmar os mercados. A dívida da Espanha chegou
a romper as máximas de ontem e bateu 650 pontos. Após o anúncio do pacote houve
uma melhora, mas o Banco Central Europeu insiste que não haverá novos programas
de recompra de dívidas e isso impede uma melhora substancial das dívidas da
Espanha e da Itália. Abaixo o gráfico do jornal El País sobre o risco da dívida
espanhola:
As bolsas receberam com entusiasmo a
liberação do pacote e subiram consideravelmente.
Nos EUA os resultados corporativos continuam
aumentando a esperança dos analistas em uma recuperação da economia no segundo
semestre, a despeito do que ocorrer na Europa. A Apple divulgou seu resultado
ontem e ele veio abaixo do esperado, com US$ 9,32 por ação contra a estimativa
de US$ 10,4. A Caterpillar, que está no índice Dow Jones, veio com um lucro de
US$ 2,54 contra estimativas de US$ 2,28. Boing, Bristol-Myer e Pepsi Co também
divulgarão os seus balanços hoje. A Ford Co. veio com um resultado positivo de
US$ 0,30 por ação, mas deu uma perspectiva negativa para o ano, por conta da
Europa.
No geral, os analistas de mercado dos EUA
consideram cada vez mais provável uma recuperação da economia liderada pelo
setor imobiliário. Com os números recentes mais positivos, e com a possível “desalavancagem”
das famílias no crédito, espera-se que ocorra um novo “boom” no setor
imobiliário, fazendo com que a economia se acelere novamente. Nessa hipótese, o
país não seria tão afetado pela queda nas exportações, ocorrida por conta do
agravamento da situação europeia.
Essa perspectiva é que tem segurado,
junto com os resultados corporativos positivos, as bolsas nos EUA e na
Alemanha. Ambas ainda estão positivas no ano, com o S&P500 em 7% e o DAX em
9,5%. A alta liquidez e os juros muito baixos têm um papel importante nesse cenário positivo
para os resultados corporativos, permitindo que as empresas se mantenham em
boas condições, apesar das condições econômicas ruins.
Mas essa visão ainda não tem dados para
comprová-la. Os ados recentes de atividade e do mercado de trabalho mostram que
os EUA estão mais próximos de uma recessão do que de um ciclo de forte
recuperação. Tanto é assim, que a maioria dos diretores do Federal Reserve estão sinalizando que estão prontos para novos pacotes
de estímulo. A minoria dos diretores compartilha da opinião dos analistas de
mercado, considerando que novos pacotes não são necessários e que, ao
contrário, diante da possibilidade de recuperação econômica, eles elevam os
riscos inflacionários e fiscais da maior economia do mundo.
Essa divergência no interior do FED
reflete, em grande medida, a divisão das opiniões em toda a sociedade acerca da
profundidade e da amplitude dessa crise. Essa divisão, por seu turno, aumenta
as incertezas e a volatilidade dos mercados globais. À falta de uma governança
global mais efetiva, ficamos à mercê da capacidade (ou a falta dela) dos
mercados em solucionar crises financeiras.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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