quarta-feira, 25 de julho de 2012

Comissão Europeia libera o pacote de resgate para bancos espanhóis.



A Comissão Europeia liberou hoje o pacote para recapitalização do sistema bancário espanhol. Dos 100 bilhões de euros, 30 bilhões serão liberados já nesse mês. Os bancos que utilizarem seus recursos terão uma série de condições a cumprir, entre elas a suspensão de distribuição e dividendos aos acionistas e limitação dos salários e bônus aos executivos. Esse passo, importante, ajudou a acalmar os mercados. A dívida da Espanha chegou a romper as máximas de ontem e bateu 650 pontos. Após o anúncio do pacote houve uma melhora, mas o Banco Central Europeu insiste que não haverá novos programas de recompra de dívidas e isso impede uma melhora substancial das dívidas da Espanha e da Itália. Abaixo o gráfico do jornal El País sobre o risco da dívida espanhola:







As bolsas receberam com entusiasmo a liberação do pacote e subiram consideravelmente.

Nos EUA os resultados corporativos continuam aumentando a esperança dos analistas em uma recuperação da economia no segundo semestre, a despeito do que ocorrer na Europa. A Apple divulgou seu resultado ontem e ele veio abaixo do esperado, com US$ 9,32 por ação contra a estimativa de US$ 10,4. A Caterpillar, que está no índice Dow Jones, veio com um lucro de US$ 2,54 contra estimativas de US$ 2,28. Boing, Bristol-Myer e Pepsi Co também divulgarão os seus balanços hoje. A Ford Co. veio com um resultado positivo de US$ 0,30 por ação, mas deu uma perspectiva negativa para o ano, por conta da Europa.

No geral, os analistas de mercado dos EUA consideram cada vez mais provável uma recuperação da economia liderada pelo setor imobiliário. Com os números recentes mais positivos, e com a possível “desalavancagem” das famílias no crédito, espera-se que ocorra um novo “boom” no setor imobiliário, fazendo com que a economia se acelere novamente. Nessa hipótese, o país não seria tão afetado pela queda nas exportações, ocorrida por conta do agravamento da situação europeia.

Essa perspectiva é que tem segurado, junto com os resultados corporativos positivos, as bolsas nos EUA e na Alemanha. Ambas ainda estão positivas no ano, com o S&P500 em 7% e o DAX em 9,5%. A alta liquidez e os juros muito baixos  têm um papel importante nesse cenário positivo para os resultados corporativos, permitindo que as empresas se mantenham em boas condições, apesar das condições econômicas ruins.

Mas essa visão ainda não tem dados para comprová-la. Os ados recentes de atividade e do mercado de trabalho mostram que os EUA estão mais próximos de uma recessão do que de um ciclo de forte recuperação. Tanto é assim, que a maioria dos diretores do Federal Reserve estão sinalizando que estão prontos para novos pacotes de estímulo. A minoria dos diretores compartilha da opinião dos analistas de mercado, considerando que novos pacotes não são necessários e que, ao contrário, diante da possibilidade de recuperação econômica, eles elevam os riscos inflacionários e fiscais da maior economia do mundo.

Essa divergência no interior do FED reflete, em grande medida, a divisão das opiniões em toda a sociedade acerca da profundidade e da amplitude dessa crise. Essa divisão, por seu turno, aumenta as incertezas e a volatilidade dos mercados globais. À falta de uma governança global mais efetiva, ficamos à mercê da capacidade (ou a falta dela) dos mercados em solucionar crises financeiras.



Pedro Paulo Silveira (Economista)
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