O estado de confiança dos mercados
globais continua ruim, com quedas fortes nas bolsas da Ásia e da Europa. A
primeira causa desse mal humor é, com certeza, a evidência dada pela diretoria
do Federal Reserve, em sua última ata
do comitê de política monetária, divulgada ontem, de que não há acordo entre
seus membros quanto à possibilidade de mais ações de estímulo no curto prazo.
Esse recado esfriou os humores, já que a maior economia do planeta vem
mostrando sinais claros de desaceleração.
No Brasil o Copom reduziu a taxa Selic em
0,5%, exatamente como era esperado. Em seu comunicado ao mercado, o comitê
revela que os motivos foram os baixos riscos para a inflação e um cenário
externo que é “desinflacionário”. Vale dizer, a inflação está bem comportada e
a crise global é o evento que chama a atenção dos diretores. Confirma esse
cenário a divulgação do índice de atividade calculado pelo Banco Central, o
IBC-Br, que é uma ótima estimativa do comportamento do PIB. Ele veio
praticamente zerado, com ligeira queda de -0,02% em maio, após ter subido 0,1%
em abril. Esse dado fortalece a nossa estimativa de PIB fraco para o segundo trimestre
do ano e deve contribuir para a redução das expectativas de crescimento de
2012, que hoje estão próximas a 2%.
Na Ásia, as taxas de juros caíram na
Coreia do Sul e Austrália. Ambos países respondem à desaceleração de suas
economias, impactadas pela crise global. Os juros da Coreia, com vencimento em
2017 estão em 3,08% e na Austrália a bônus de um ano rende 2,313%. A bolsa do
Japão fechou em queda de 1,5%, Coreia em -2,3%, Índia -1,5%, Austrália -0,7% e
Shangai em +1%. O euro caiu, fazendo novamente a mínima de doze meses, cotado a
1,218 em relação ao dólar. As bolsas europeias acompanham o mal humor, mesmo
com a divulgação de uma produção industrial positiva em maio. Analistas acham
que o impacto desse dado é restrito, já que se baseia em forte crescimento da Alemanha
(+2%), com queda na maioria dos ouros dezesseis membros. O dado rara Abril foi
revisado para baixo, de 0,8* para -1,1%.
Com dados econômicos de pouca importância
(seguro desemprego) serem divulgados nos EUA, o mercado deve continuar com
forte pessimismo.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
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