segunda-feira, 2 de julho de 2012

Atividade industrial em queda no mundo e acordo europeu sob ameaça.



Tal como se esperava, os indicadores que foram anunciados hoje ao redor do mundo indicaram retração da atividade industrial Os indicadores PMI, índice dos gerentes de compra em inglês, quando vêm abaixo dos 50 indicam contração da atividade. E os indicadores divulgados hoje vieram abaixo de 50 na China (48,2 em queda ante os 48,4 do mês de maio), na zona do euro (45,1) e desacelerando-se nos EUA, caindo de 52,9 para 52,4, em mais uma queda em direção aos 50. Chris Williamson, economista da Markit, empresa inglesa que produz essa pesquisa, disse que esses números indicam que a atividade industrial da zona do euro deve apresentar retração de 1% no segundo trimestre e essa queda vai se acelerar no segundo semestre. Na China e na Coréia, os volumes de exportação indicam, uma vez mais, queda no mês de junho frente a maio, confirmando a desaceleração do comércio global. Outro dado preocupante é o desemprego da zona do euro em abril, que atingiu o seu maior número desde que a pesquisa começou em 1996, chegando a 11,1%, com o maior dado na Espanha, onde ele bateu 24,6% em maio. Na União Europeia, em seus 27 países, o desemprego atingiu 10,35 e mais de vinte e cinco milhões de pessoas estão procurando emprego.

Para aumentar ainda mais as incertezas acerca do futuro, a Finlândia anuncia que está disposta a vetar as compras de dívidas soberanas por parte do ESM (mecanismo europeu de estabilização). Segundo rumores a Finlândia poderia ser acompanhada pela Holanda em seu veto.

Aqui no Brasil a pesquisa Focus do Banco Central continua a mostrar queda nas expectativas dos agentes, que pela oitava vez reduziram o crescimento de 2012 para 2,09%, ante os 2,18% da semana passada. A nossa estimativa de crescimento para 2012 está em 1,7% como teto e mínimo de 1,3%. A inflação medida pelo IPCA está em 4,93%, praticamente o mesmo número da semana anterior. Hoje, para reforçar a desaceleração dos preços e da economia, foi divulgado o IPC-S da FGV, relativo à última quadrissemana de junho, veio em 0,11%. A taxa Selic esperada para o fim de 2012 é de 7,5% e nossa estimativa é a mesma do mercado.

Nos EUA, a divulgação do Índice de Gerentes de Compra (ISM) acrescentou mais um dado para a avaliação de desaceleração industrial mais forte que o esperado. O mercado esperava um número próximo a 52 e o dado veio em 49,7, ligeiramente abaixo de 50, mas indicando contração industrial. É a primeira vez que o índice fica abaixo dos 50 desde junho de 2009 e vem em linha com os outros dados acerca da indústria. Abaixo o gráfico da Bloomberg sobre o ISM:





Outro indicador que acaba de ser divulgado é o de gastos com construção, que indicou forte expansão em maio, saindo de 0,6% em abril para 0,9%, acima das expectativas de 0,2%.

Apesar das noticias ruins acerca da produção industrial e mercado de trabalho, os mercados europeus operaram boa parte do pregão em alta refletindo a melhora dos prêmios das dívidas da Itália e da Espanha e a forte expectativa de que o BCE possa reduzir em mais 0,2% a sua taxa referencial.

O gráfico abaixo, fornecido pela bolsa de Chicago, mostra o índice VIX para  índice S&P 500: 


Índice VIX S&P 500 (CBOE)





Esse indicador mostra a volatilidade do mercado de ações, para as ações das empresas listadas no S&P 500 da Bolsa de Nova York. Na crise de 2008 as ações apresentaram, segundo o VIX, uma volatilidade anual de 80% nos momentos de pico. A menor volatilidade para esse mesmo período ficou ligeiramente abaixo de 15 e a média, em momento de relativa normalidade mostra o VIX oscilando entre 18% e 22%. Hoje o indicador está em 18% o gráfico abaixo mostra uma queda substancial em relação ao ano de 2011, onde, a partir do segundo semestre, ele operou sempre acima 20, chegando a superar os 40, nos momentos de maior nervosismo.

A forte queda do VIX ocorreu com os pacotes de liquidez do início de 2012, realizados pelo BCE e que levaram as bolsas globais a subir. A volatilidade caiu de janeiro até maio, quando o nervosismo quanto à sustentabilidade da Grécia, Espanha e Itália voltou a derrubar os mercados. O anúncio da semana passada voltou a derrubar o VIX abaixo dos 20 e hoje ele está em 18.


Índice VIX S&P 500 (CBOE)





Acreditamos que a tendência é a de alta da volatilidade, que voltará a apresentar os padrões do ano passado, à medida que as notícias ruins acerca da atividade global começarem a ofuscar o otimismo gerado pelo pacote europeu, ele mesmo em sério risco de virar um fiasco caso a Finlândia o vete.

O mais importante é que, apesar das boas notícias, há mais indicadores de que vamos voltar ao padrão de volatilidade do segundo semestre do ano passado, com o VIX operando entre 25% e 35%, do que indicadores de estabilização. A semana terá indicadores de atividade importantes e de emprego nos EUA. Eles devem incentivar o pessimismo.

 

Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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