O mercado esperava, desde quinta passada,
que os dirigentes chineses anunciassem um pacote de estímulos à sua economia
durante a reunião realizada hoje do Conselho de Estado. Mas Wen Jiabao se
limitou a fazer um discurso pessimista sobre as perspectivas da economia chinesa,
alertando que, antes de uma recuperação, o mercado de trabalho irá passar por
uma situação severa. As bolsas da Ásia fecharam, em sua maioria, em baixa,
refletindo a falta de noticias dos EUA e da China. A bolsa da Coréia do Sul
fechou em nova queda, em 1,5% de queda e passou ao vermelho no ano. Para
ilustrar o quadro de desaceleração, a federação das Indústria de Hong Kong
afirmou que nesse ano três mil indústrias poderão fechar suas portas na região
por conta da queda nas exportações. O líder chinês exortou os dirigentes
políticos a intensificarem seus esforços para estimulara economia e evitar uma piora
das condições do mercado de trabalho do país.
Nos EUA foi anunciado o número de novas
construções residenciais e ele veio dentro do esperado, em um nível bastante
elevado. Abaixo o gráfico da Bloomberg:
A boa nova desse número é que ele mostra
que o mercado imobiliário, no que diz respeito à construção civil, estacionou
em patamar superior ao da crise de 2008/2009, operando no nível de mais de 700
mil residências por ano. Nesse setor, pelo menos, a tendência é a demanda por
trabalhadores manter-se estável e atenuar, portanto, as pressões negativas da
indústria e do varejo. Foi um dado importante e positivo para o mercado.
Às 11 hs de Brasília o presidente do Federal Reserve Bank, Ben Bernanke volta
à tribuna do Senado para continuar seu depoimento sobre as condições econômicas
e financeiras do país. Ontem ele afirmou que o banco central está pronto para
tomar mais iniciativas quando for necessário. E o mercado acabou se
decepcionando com essa afirmação, já que tudo indica que agora é a hora de
novas intervenções.
Mas é provável que o discurso do
presidente da autoridade monetária esteja refletindo a divisão interna da diretoria,
que têm membros que estão frontalmente contra qualquer nova ação de estímulo à
economia. Esse grupo acredita que a ação feita até agora foi suficiente e que
mais ações poderão resultar em mais inflação e não em melhora do nível de
atividade.
As principais ações do FED estão voltadas
à aquisição de ativos financeiros do setor privado. Essa compra de ativos
aumenta o balanço do banco, que emite moeda para o setor privado da economia. O
aumento dos ativos do FED, portanto, além de reduzir os ativos dos bancos
problemáticos, aumenta o volume de moeda em circulação na economia. A
estratégia de aumentar a liquidez a economia passa pelo aumento do balanço do
FED e pelo aumento do estoque de moeda em poder do setor privado. Abaixo o
total de ativos do Federal Reserve:
O FED está operando com um volume de
ativos três vezes superior ao normal. Essa expansão de seus ativos implicou em
expansão monetária e, portanto, em aumento da liquidez total da economia. A
expectativa do mercado é que o Bernanke anuncie a continuidade desse aumento
dos ativos, sob a forma de um “pacote” tal como foram os dois anteriores, os Quantitative Easing 1 (Q1) e o Quantitative Easing 2 (Q2). Esse anúncio
poderia melhorar a confiança dos mercados e ajudar na valorização dos ativos
globais. Mas, tudo indica, ele poderá continuar a expansão dos ativos de forma
moderada e sem “gritaria”.
Mais um dia morno para os mercados que
ainda continuam esperando por notícias de pacotes de estímulo que teimam em não
aparecer.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
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