quarta-feira, 13 de junho de 2012

A volatilidade está alta, mas vai continuar subindo.

Hoje o Departamento do Comércio dos EUA divulgou a variação das vendas do marejo em maio com relação a abril e elas apresentaram queda. O gráfico abaixo, da Bloomberg, mostra o comportamento do agregado:





As variações anuais, em vermelho, vêm caindo sistematicamente desde maio do ano passado e a variações mensais tiveram duas quedas consecutivas. Esses resultados indicam claramente que os estímulos efetuados pelo Federal Reserve estão limitados e que, simultaneamente, a desaceleração global pode estar afetando a recuperação dos EUA. Dentro desse cenário de grandes complicações globais, uma desaceleração dos EUA é algo difícil de conter, afinal o período eleitoral amarra qualquer iniciativa governamental.

Na Europa, na ausência completa de novidades acerca de pacotes de estímulos, os mercados voltaram à trajetória de encolhimento, com as dívidas soberanas caindo novamente. Ontem o pregão foi francamente otimista, baseado na “esperança” de um pacote de estímulos a ser feito pelo Banco Central Europeu ou pelo Federal Reserve. Como nada foi anunciado, as coisas voltaram aos “eixos”, no mau sentido.

Aqui no Brasil a sensação de desconforto aumenta gradativamente, com a confirmação de que nossa economia está patinando mais do que se esperava e com a saída de capitais estrangeiros, que estão fugindo dos ativos de risco. O câmbio, eleito meses atrás como o inimigo público número um, passou a manter sua trajetória de desvalorização, atingindo R$ 2,07 ontem, mesmo com intervenção do Banco Central. A disseminação global e gradativa dos efeitos da crise global varia em intensidade e velocidade, dando aos analistas a oportunidade de apontar a alta da volatilidade de todos os preços, em todos os mercados e em todas as moedas. Abaixo o gráfico do índice VIX, apurado pela CBOE:







É fácil notar que, apesar de elevado para momento de “normalidade”, ele está longe dos picos atingidos em momentos de “ruptura”. Sendo essa uma boa estimativa do risco percebido pelos agentes nos mercados de ações, podemos dizer que a volatilidade ainda tem espaço para subir caso o cenário atual caminhe para um cenário de “ruptura”. Como não conseguimos ver uma saída coordenada, capaz de evitar um derretimento das economias europeias e desaceleração forte no EUA, essa ruptura vai se tornando inevitável.  Mesmo aqui no Brasil, com enormes reservas internacionais, a pressão sobre o real vai aumentando. A desvalorização do real, antes festejada como estímulo à indústria, passa a ser percebida, inevitavelmente, como sinal de aumento do risco Brasil, ou, no mínimo, como fuga dos estrangeiros de nossa moeda.

O cenário continua se deteriorando.


Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br


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