Ontem a dívida
espanhola apresentou a sua maior desvalorização desde a sua adesão ao euro. O
rendimento exigido pelos agentes ultrapassou os 7% e o prêmio sobre os bônus do
tesouro alemão chegou a 590. A ausência de acordo para a forma do pacote de
resgate do sistema bancário espanhol, por parte da Comissão Europeia, vai
piorando gradativamente a percepção de risco em relação ao país, cujos
indicadores econômicos se deterioram a cada mês. No G20 a expectativa é a de
que a Europa resolva rápido o que fazer em relação a esse tema, mas os sinais
emitidos pelos membros da troika e o
governo Rajoy são conflitantes. Hoje os títulos mais curtos estavam em
desvalorização, confirmando a tendência de deterioração do quadro espanhol.
As bolsas, desde sexta
feira têm se mantido em valorização à espera de um anúncio de pacotes de
resgate a partir da reunião do G20. Os sinais efetivos, no entanto, são de que
os tais pacotes ainda não foram costurados com metade da reunião concluída.
Apesar dos discursos otimistas de Obama e Merkel, no sentido de chamar a ação para
o resgate do sistema bancário global e da formação de um fundo para os países
emergentes do g20, a questão de fundo, a pressão contracionista exercida pelas
políticas fiscais europeias, não foi tocada até agora. Exceto pelos isolados
apelos de Francois Hollande, presidente da França, a cúpula do G20 tem se
concentrado em manter o trabalho de salvamento dos bancos como foco da ação de
sustentação da economia global. Pelo comportamento do mercado, essa pode ser
uma solução de curto prazo para evitar o derretimento das expectativas.
Os dados econômicos
que têm sido anunciados continuam a mostrar a deterioração da situação
econômica global, contrariando, em grande medida, a estratégia adotada pelos líderes
do G20. O salvamento do sistema bancário, vale alertar novamente, é uma condição
necessária para a recuperação da economia global, mas não é a condição
suficiente. Os países desenvolvidos vivem um problema de déficit de
demanda, agravado pelo aperto fiscal e pelas condições dos mercados de
trabalho. Ainda que os mercados se sustentem no curto prazo, motivados pelos
possíveis pacotes de resgate financeiros, o peso da recessão poderá nos levar
ao cenário mais radical até o fim do ano. Na Alemanha foi divulgada a pesquisa
ZEW, que segundo a Bloomberg era esperado em 2,5, resultou em -16,9. Esse
índice mede, junto aos empresários, o estado de confiança sobre o estado da
economia e vem demonstrando uma deterioração razoável do ânimo empresarial da
maior e, até agora, mais dinâmica economia da Zona do Euro. Nos EUA, foi
divulgado um dado desanimador para o mercado imobiliário que é o número de início
de construção de residências. O esperado pela pesquisa Bloomberg era algo como
720 mil residências e o resultado veio
em 708 mil, registrando queda de 4,8% em relação a abril. Abaixo o gráfico da
Bloomberg do Housing Starts:
Esse dado não
indica, necessariamente, um novo ciclo de queda do mercado imobiliário. Mas ele
referenda a hipótese de que sua recuperação não está ocorrendo da maneira
desejada, mesmo depois de um profundo ajuste nos balanços das famílias, que
reduziram substancialmente seu endividamento. Ele mostra que esse ciclo de
ajuste dos balanços familiares ainda tem um caminho a percorrer e impede uma
recuperação mais sólida do ainda combalido mercado imobiliário.
As bolsas estão
sustentando seus patamares enquanto o G20 não resolve que tipo de medidas vai
anunciar. No ano, o comportamento dos mercados acionários até que é positivo,
mostrando, à exceção da Espanha, calma em relação à perspectiva de recessão
global. Abaixo o gráfico com os retornos anuais das principais bolsas:
Em nossa avaliação,
os mercados ainda não precificaram um cenário mais grave de recessão global e
estão evitando essa precificação por conta da crença dupla de que um plano de
liquidez está para sair na Europa e, saindo, ele será suficiente para dar
suporte à economia global.
Continuamos a
acreditar, conforme Comentário Diário de sexta feira, que o anúncio de um
pacote financeiro de grandes proporções pode impulsionar as bolsas no curto
prazo.
Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11
3027-3101 Email: pedrosilveira@tov.com.br
Disclaimer:
"Este
informativo foi preparado pela TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores
Mobiliários e é distribuído gratuitamente, com a finalidade única de contribuir
com uma ótica sobre o mercado em geral, sem possuir qualquer vínculo com
pessoas ou empresas eventualmente citadas, nem delas recebendo qualquer tipo de
remuneração. Mesmo nos atentando para trazer as informações com a maior
precisão, elas não são por qualquer forma garantidas, isentando a TOV de
qualquer responsabilidade. Os indicativos, as opiniões e as projeções que venha
a ser expressas neste informativo estão sujeitos a mudanças a qualquer momento,
sem necessidade de aviso ou comunicado prévio. Cabe ressaltar que de nenhuma
maneira, este relatório possa ser interpretado como sugestão de compra ou de
venda de quaisquer ativos e valores imobiliários. Este relatório não pode ser
reproduzido, distribuído ou publicado por qualquer pessoa, para quaisquer
fins."


Nenhum comentário:
Postar um comentário