sexta-feira, 15 de junho de 2012

O G20 pode reverter o pessimismo.

Na terça os líderes do G20 vão se reunir no México e têm tudo para reverter o quadro de deterioração da economia global a partir de planos de suporte monetário e fiscal. Desde o pregão de anteontem os mercados vêm antecipando essa tendência, com altas expressivas, e ignorando os riscos associados às eleições da Grécia desse final de semana. Especulações apontam para uma nova ação articulada pelas maiores economias do planeta no sentido de prover liquidez ao sistema bancário, estímulos fiscais e estabilização das moedas. Caso a esquerda seja derrota na Grécia e o G20 confirmar as expectativas, poderemos entrar em um ciclo de alta dos ativos reais e recuperação das expectativas, semelhante ao do início desse ano.

Continuando a confirmação da desaceleração sincronizada das economias, hoje foi divulgada a produção industrial de maio nos EUA e ela veio em ligeira queda. Todos os indicadores da semana, nos EUA, na Europa e no Brasil indicam que o pessimismo dos mercados tem fundamento no lado real da economia. O gráfico abaixo, da Bloomberg, mostra o comportamento da produção industrial dos EUA:






Fica claro que a atividade industrial perdeu seu ímpeto, após vários meses no campo positivo. No Brasil o Banco  Central divulgou o Índice de Atividade Econômica, que antecipa de forma eficiente o PIB trimestral. No indicador do primeiro mês do segundo trimestre o índice teve alta de 0,2%. O gráfico abaixo mostra o comportamento do índice:





A variação de 0,2% no índice aponta par um segundo trimestre que pode repetir o fraco desempenho do primeiro. Os dados correntes do comércio e da indústria, referentes a maio vão confirmando um ritmo muito fraco da atividade e o indicador do BC parece ir por esse caminho. Nesse ritmo, é possível que nossa projeção de crescimento de 0,2% no trimestre se confirme e fortaleça um cenário de crescimento de 1,7% no ano.

Com Petrobrás a R$ 18,00, dólar a R$ 2,05 e juros em níveis baixos, é de se pensar se não é chegada a hora de apostar em uma reversão do quadro de curto prazo. Mas os riscos são elevados para uma aposta otimista hoje caso o partido de esquerda Syriza vença as eleições gregas. O partido é totalmente a favor do repúdio ao programa de estabilização imposto pela Troika ao país no início do ano. Tanto o Banco Central Europeu como o Banco da Inglaterra estão em regime de alerta máximo para a possibilidade do partido vencer as eleições. Os dois bancos centrais esperam muita confusão nos mercados na semana que vem se o novo governo optar em sair do euro. Apesar de todas a tentativas de monitorar os riscos associados à saída da Grécia do euro, o BCE ainda mantém muito receio diante dessa possibilidade. Portanto, a opção de embarcar em uma tendência otimista só é viável após a eleição grega. Depois dela, caso o pior cenário não se verifique, acreditamos em uma oportunidade de compra.


Pedro Paulo Silveira (Economista)
Fone: 55 11 3027-3101    Email: pedrosilveira@tov.com.br

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